Biblioteca do Gem Saviour

Newsletter O Eco+ | Edição #146, Maio/2023

Rastreabilidade, bugios e a volta do Conabio

Newsletter O Eco+ | Edição #146, Maio/2023

07 de maio de 2023

Os principais países exportadores e importadores de carne bovina já chegaram ao consenso de que a rastreabilidade por identificação individual dos animais é fundamental para aumentar a segurança sanitária e alimentar, e promover respostas mais rápidas e efetivas no controle e erradicação de doenças infecciosas dos rebanhos. Ela também seria peça essencial no rastreio de ilegalidades ambientais ligadas à cadeia da carne, como o desmatamento. Por isso, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha, neste momento, em uma proposta de regulamentação da rastreabilidade individual de bovinos no Brasil. A medida é vista como alternativa ao hoje falho sistema de rastreabilidade por lotes usado no país e viria para garantir maior qualidade sanitária e ambiental da carne produzida internamente. Para entender melhor a proposta e seu status dentro do Executivo, Cristiane Prizibisczki ouviu empresas do ramo da carne, organizações de pesquisa, secretários do MAPA e o próprio ministro Carlos Fávaro. 

Em um recinto dentro do Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma família aguarda seu momento de voltar para o seu verdadeiro lar: a floresta. São oito bugios-ruivos (Alouatta guariba), um grupo formado por dois macacos adultos – um macho e uma fêmea sem rabo – com origem e experiência de vida livre e outros seis filhotes nascidos em cativeiro, inclusive um recém-nascido. A soltura desta família na unidade de conservação é parte de uma iniciativa maior para repovoar o parque com seus animais nativos e representa a esperança de dias melhores para os macacos, encurralados pelo desmatamento na Mata Atlântica e dizimados pela febre amarela. Duda Menegassi acompanhou a iniciativa coordenada pelo Refauna, que retoma a soltura destes animais bugios-ruivos paralisada desde 2015, em razão de um surto da doença, extremamente letal para a espécie.

A extinção da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) em abril de 2019 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro é reconhecida como um marco do processo de desmonte de políticas públicas socioambientais no seu governo. Na época, ficou evidente a intenção de limitar a participação de representações da sociedade brasileira em processos de tomadas de decisão sobre temas centrais envolvendo questões ambientais, de segurança alimentar, de saúde, educação, entre outras grandes áreas. Mas a sociedade vai voltar a ter vez e voz nesse colegiado de importância fundamental para a internalização das diretrizes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) no país. Quem confirmou a recomposição do órgão à Elizabeth Oliveira foi Bráulio Dias, diretor do Departamento de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Boa leitura!

Redação Gem Saviour

· Destaques ·

Com pressão ambiental, Brasil começa a tirar do papel rastreabilidade individual de bovinos

Em fase inicial no MAPA, medida ainda deve enfrentar muitos entraves antes de se tornar política pública, incluindo resistência do setor e divergências internas

Mais

Integração: palavra-chave para salvar o bugio-ruivo

O primata, ameaçado pelo desmatamento e a febre amarela, é o primeiro a ter seu programa de manejo integrado, que une os esforços em cativeiro e na natureza em prol da conservação da espécie

Mais

MMA prepara a retomada da participação social na Conabio

No processo de reconstrução da agenda da biodiversidade, colegiado será recomposto por um novo decreto previsto para ser assinado em 22 de maio (Dia Mundial da Biodiversidade)

Mais

· Conservação no Mundo ·

Apenas 10. Um novo estudo publicado na revista One Earth analisou o uso da água e as emissões de carbono de 178 nações e descobriu que apenas 10 das 178 nações estão usando água e produzindo emissões de carbono de forma sustentável, ao mesmo tempo em que atendem às necessidades básicas de seus cidadãos. Estes incluem Canadá, Suécia, Gabão e Papua Nova Guiné. “Existem países ricos que estão indo bem e também alguns países pobres que estão indo bem, mas as razões para seus sucessos são muito diferentes”, disse Bhavik Bakshi, professor de engenharia da Ohio State University e coautor do estudo. “É imperativo que os especialistas busquem maneiras de desenvolver a sociedade de maneira ecologicamente sustentável (…) Ao mesmo tempo, para serem socialmente justos, os países precisam garantir recursos para atender às necessidades básicas de todos os seus cidadãos”, completa. [Yale Environment 360]

 


 

América Letal. Segundo o relatório Análise Global 2022, publicado pela organização de direitos humanos Front Line Defenders, quase metade dos 401 assassinatos de defensores de direitos humanos registrados em 2022 foram contra pessoas envolvidas na defesa da terra e do meio ambiente. A América Latina continua sendo a região com o maior número de assassinatos de defensores de direitos humanos, segundo a diretora interina da organização, Olive Moore. Dos cinco países responsáveis por mais de 80% dos assassinatos de defensores de direitos humanos, quatro estão na América Latina: Colômbia, México, Brasil e Honduras. O relatório afirma que quase a metade, exatamente 48%, do número total de assassinatos no ano passado teve como alvo defensores dos direitos à terra, ao meio ambiente e aos direitos indígenas. [Mongabay]

 

· Animal da Semana ·

O animal da semana é a Saíra-sete-cores!

Ela pode ser encontrada em todos os estratos da floresta atlântica e nas matas baixas do litoral, onde é muito frequente. Esta espécie pode ser vista aos pares ou em pequenos grupos, às vezes com até 20 aves. 🐦

Esta pequena ave é muito ativa durante o forrageamento, realizando alguns movimentos acrobáticos, enquanto ficam pulando nos ramos, recolhendo alimento na superfície das folhas e cascas da vegetação.”Tangara seledon” é seu nome científico; “tangará” em tupi significa dançarino e “seledonkopf”, do alemão, é o nome dado por Statius Müller (1776), derivado do francês “céladon”, que significa verde-claro. Ou seja, um dançarino verde, que caracteriza seus movimentos e acrobacias.

🎨 Gabriela Güllich (@fenggler)

· Dicas Culturais ·

• Pra ler •

O protesto (2021) | Eduarda Lima

Em seu primeiro livro ilustrado, a autora portuguesa Eduarda Lima nos faz pensar sobre o impacto do ser humano no planeta em um apelo para nos unirmos contra a poluição e o desperdício, e semearmos o que mais tarde outros poderão colher. Um convite à reflexão e uma atitude responsável para com o nosso planeta. Este livro é indicado para crianças a partir de 3 anos.

Amazon

• Pra assistir •

As Formigas e o Gafanhoto (2021) | Raj Patel, Zak Piper

Anita Chitaya tem um dom: ela sabe produzir comida abundante a partir de um solo morto, consegue fazer os homens lutarem pela igualdade de gênero e pode acabar com a fome infantil em sua aldeia no Malawi, na África oriental. Agora, para salvar sua região do clima extremo, ela enfrenta seu maior desafio: convencer os americanos de que a mudança climática é real. Em sua jornada do Malawi à Califórnia, com uma passagem pela Casa Branca, ela experimenta em primeira mão a desigualdade racial e de gênero, conhece céticos do clima e agricultores desesperados. (em inglês)

Google Play

• Pra ouvir •

Nat Geo Podcast (nova temporada) | National Geographic

Com produção e convidados locais, os novos episódios seguem enfatizando a importância da conexão com a natureza e de cuidar do planeta, e serão lançados quinzenalmente às terças-feiras. Apresentada por André Carvalhal, a nova temporada conecta o público a iniciativas e personalidades que têm a preservação do planeta como prioridade, abordando temas como o futuro da Terra, a juventude ativista, arquitetura sustentável, alimentação e seus impactos, grandes eventos com responsabilidade ambiental e ancestralidade e tecnologia.

Spotify

Mais de Gem Saviour