Salada Verde

Seca extrema na Amazônia em 2023 fez queimadas aumentarem 35%

Em todo Brasil, queimadas e incêndios atingiram área 6% maior do que em 2023. Pastagens foram áreas mais afetadas pelo fogo, mostra levantamento

Cristiane Prizibisczki·
6 de fevereiro de 2024
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

A Amazônia, bioma que não queima naturalmente, teve uma área equivalente à soma dos territórios da Irlanda e Bélgica atingida pelo fogo em 2023. No total, foram 10,7 milhões de hectares queimados no ano passado, um aumento de 35,4% em relação ao ano anterior. Os números são de levantamento publicado nesta terça-feira (6) pelo MapBiomas Fogo, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Segundo a organização, a seca extrema e as altas temperaturas registradas em setembro, outubro e novembro de 2023, principalmente na região norte do país, foram os principais fatores para tal quadro. 

Somente nesses meses, 10,4 milhões de hectares foram atingidos por queimadas e incêndios em todo o país, um aumento de 4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando considerado todo o território nacional. Na Amazônia, esse aumento foi de 44% no trimestre em questão.

O segundo bioma que mais queimou em 2023 foi o Cerrado, onde 5 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo, área maior do que a Dinamarca. A cifra representa um aumento de 29% em relação ao ano anterior. No geral, Amazônia e Cerrado sofreram 91% das queimadas que ocorreram no Brasil em 2023.

“O aumento da área queimada no Brasil em 2023 em relação a 2022 teve o fator climático como protagonista. A seca severa que atingiu a Amazônia acabou por deixar a floresta mais suscetível, aumentando a área afetada por incêndios e também os acidentes com fogo em áreas agropecuárias”, explica Ane Alencar, diretora de Ciência no IPAM e coordenadora da rede MapBiomas Fogo.

Pastagens 

As pastagens foram as áreas que mais queimaram no Brasil em 2023, correspondendo a 28% de toda área atingida pelo fogo no ano, segundo MapBiomas e IPAM. Ao todo, 4,8  milhões de hectares de pastos queimaram no período.

O segundo tipo de vegetação que mais queimou no ano passado foram os campos, com 18,6% do total, seguidos pelas formações savânicas, típicas do Cerrado, com 18,4% dos incêndios, e florestas, com 15%.

“Em áreas antrópicas o fogo atinge majoritariamente as pastagens porque ele é utilizado como uma técnica de manejo, estimulando o crescimento de novas plantas. No entanto, é crucial que seja empregado de forma controlada e responsável, em épocas específicas e atendendo a legislação ambiental, pois pode fugir do controle e se tornar um incêndio florestal”, alerta Vera Arruda, pesquisadora do IPAM e responsável pelo Monitor do Fogo.

  • Cristiane Prizibisczki

    Cristiane Prizibisczki é Alumni do Wolfson College – Universidade de Cambridge (Reino Unido), onde participou do Press Fellow...

Leia também

Notícias
11 de outubro de 2023

Mais de 9 milhões de hectares já queimaram no Brasil em 2023

Somente em setembro a área queimada no país chegou a 4 milhões de hectares. Dos dez estados que mais queimaram, oito estão na Amazônia

Notícias
25 de janeiro de 2024

Crise climática aumentou em 30 vezes a chance de seca na Amazônia

Estudo mostra que aquecimento global foi principal responsável pela estiagem extrema registrada no bioma em 2023, enquanto El Niño teve papel secundário

Reportagens
6 de novembro de 2023

Sem respirar e sem água: impactos da seca histórica no Amazonas

Intensificado pela seca histórica causada pelo el niño e pelo crime ambiental, fumaça castiga os pulmões dos amazonenses desde agosto

Mais de Gem Saviour

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.